A PAIXÃO DO ÓDIO É INDISSOCIÁVEL DA PAIXÃO DA IGNORÂNCIA

Tradicionalmente se diz que as paixões humanas são três: a do amor, a do ódio e a da ignorância. O amor pode se tornar ódio. Daí a existência do conceito de hainamoration, introduzido por Lacan na Psicanálise. Trata-se de um conceito dificilmente traduzível, que engloba o ódio (haine) e o amor (amour), partindo da palavra enamoramento.

A ignorância nem sempre leva ao ódio. Mas é certo que ódio é indissociável da ignorância. Por isso, o maior dos pacifistas, o Buda, centrou seu ensinamento na procura da verdade.

nadinha

Pierre Bonnard é um artista francês pós-impressionista. Foi pintor, ilustrador e escultor. Durante sua longa vida (1867-1947), pintou personagens, nus, retratos, paisagens, interiores, naturezas mortas, flores, frutos e, insistentemente, sua mulher, Marthe. Considerado um gênio do colorismo, era mais imaginativo do que realista, não sendo raro que, em suas telas, o objeto representado seja indefinido.

Assim, em Colheita de maçãs (1899), o objeto figurado, que corresponde à maçã, não tem nem a forma e nem a cor da maçã. É cor de vinho. Como se Bonnard pretendesse dar a entender que, na verdade, isto é aquilo e pode ser outra coisa, conforme o olhar. Diferentemente dos outros saberes, o saber do artista privilegia a ambiguidade. Também por isso, ele tende a ser um pacifista.

Carlos-Schwabe, “O tonel do ódio”, litografia sobre seda, 1900.

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