NINGUÉM SUBSTITUI NINGUÉM

Com a morte do amado, o amante perde a possibilidade de viver o que só podia ser vivido graças ao encontro dos dois. Perde a certeza de que o amado estará sempre para ele, de que saberá escutá-lo e dizer a palavra certa quando isso se impõe.

A esperança do reencontro acaba e começa o tempo de uma saudade sem fim. A rememoração é, então, o único consolo – e é para o consolo que o ritual da morte existe em todas as culturas.

nadinha

A tanatopraxia, técnica de preparação do cadáver para o velório e o enterro, é antiga na civilização. Só fiquei sabendo dela em 2008, ao ver A partida, filme realizado por Yojiro Takita. Por estar desempregado, o violoncelista Daigo Kobayashi responde a um anúncio que diz: “Ajudamos a partir”. Imagina que se tratava de uma agência de viagem, mas era uma empresa de serviços funerários. Descobre então o rito da tanatopraxia, que humaniza a morte, tratando de embelezar o cadáver para consolar os vivos.

Cena de “O espelho”, de Andrei Tarkovski, Mosfilm, 1975


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Comentários sobre "NINGUÉM SUBSTITUI NINGUÉM"
  1. Betty: para poder suportar perdas que pareciam fatais – irmão, pai e mãe – escrevi “Pronto Para Partir?”, que a RT exigiu se chamasse “REflexões Jurídico-Filosóficas sobre a morte”. Penso continuamente nela. Acho que, com isso, dou mais valor à vida. E aos instantes deliciosos que podemos vivenciar junto aos que amamos. bj Renato

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