PARA HUMANIZAR A MORTE, É PRECISO ABREVIAR A AGONIA

A frase acima me ocorreu lendo o que escrevi no romance Consolação, cuja heroína deseja o fim da agonia do marido. Desde então, estou cada vez mais convencida de que devemos nos ajudar a morrer.

Por um lado, porque dificilmente aceitamos a morte, embora ela seja natural. Por outro, porque não há razão para prolongar o sofrimento ou a vida quando ela é vegetativa, quando nos tornamos restos de nós mesmos. A condição humana tanto implica o direito de viver quanto o de morrer. Se possível, assistidos e na companhia dos nossos queridos. Para tanto, é preciso que a morte deixe de ser um tema tabu.

 

nadinha

Fui ter com uma amiga para resolver um problema. Encontrei-a desanimada e não ousei falar do que me interessava. Perguntei qual a razão do desânimo. Ouvindo-a, me dei conta de que ela estava se matando para resolver o problema dela. A fim de ajudar, vali-me do provérbio francês segundo o qual ninguém é obrigado a fazer o impossível. Sem que eu dissesse mais nada, ela me indicou o caminho das pedras.

Frederick Cayley Robinson, “O espírito da água”, óleo sobre tela, 1911

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