NÓS NASCEMOS DESTINADOS À ILUSÃO

Por estarmos destinados à ilusão, nós nos expomos ao perigo. Quando, por exemplo, nos esquecemos de que a paz está sempre ameaçada pela guerra.

O que explica a nossa vocação para o engano? Deve ser a impossibilidade de suportar a frustração. Negamos que a realidade seja como ela de fato é e nos entregamos à ilusão de que é diferente. Tive a prova disso ao entrevistar um conterrâneo meu que havia sido atacado mais de uma vez na rua. Ele se lamentava de não poder sair de casa sem risco – “nem mesmo para ir à igreja no domingo”–, mas insistia em dizer que a cidade é maravilhosa.

 

 

nadinha

Perguntaram a Picasso como nasciam as ideias dos seus desenhos, e ele respondeu que, para saber o que a gente quer desenhar, é preciso fazê-lo. Picasso poderia ter respondido que é preciso aceitar a dura realidade de não saber como fazer o que a gente pretende e ir em frente. Ou, nas palavras do poeta Antonio Machado, No hay camino, caminante, el camino se hace al andar.

Cruz Delgado e José Romagosa, “A ilusão de Dom Quixote”, Colección IVCentenário, El Quijote, 2012

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